Fui votar.
Este fim-de-semana percorro praticamente 600 km com o principal objectivo de votar.
Remoí, ao longo das últimas semanas, a verborreia medíocre que toda a campanha eleitoral inclui. Jornais, blogs assumidamente políticos, pessoais… Todos debitavam as suas postas de pescada, todos esgrimiam argumentos (ridículos) que defendiam o voto neste ou naquele partido. Aproveitei a viagem para a Covilhã, na Sexta-feira, para me obrigar (sim, foi um suplício!) a ouvir os tempos de antena de todos os partidos na rádio. Observei com assombro o incitamento ao voto em branco, sustentado na absoluta parvoíce de que tal poderia boicotar o resultado das eleições. Recebi estupidificada a surpresa de alguns indivíduos perante a minha pergunta “Vai votar no Domingo?”. Não se lembravam das eleições.
Hoje fui votar. Pelas 14h, e dos cerca de 900 eleitores da minha secção de voto, apenas 140 tinham exercido o seu dever cívico. Isso, um dever*. Confesso que não posso compreender a opção de quem se abstém. De quem prescinde de dar a sua opinião perante qualquer questão que lhe é dirigida. Indigna-me a desculpa já gasta: “Os políticos portugueses são medíocres”. De facto não primam pela excelência, até consigo concordar. Mas acaso algum desses ilustres críticos se assume para os substituir? Não. Talvez se dirijam então às urnas para mostrar o seu descontentamento, optando por um voto em branco? Parece que também não. “É uma enorme maçada e os políticos não merecem.”. Os políticos não merecem? Oh, viva perplexidade! Votamos para os políticos satisfazerem o seu ego, ou para determinarmos o rumo do nosso país?! Lamento, mas atitudes destas assomam-se-me como expressão de mentalidades derrotistas, ignóbeis e sem carácter.
Nesta minha indignação apenas me ocorre a ideia de que os políticos portugueses são, na verdade, tudo aquilo que os cidadãos merecem.
A resolução brilhante do Português: acomodar. O Português não toma uma atitude. Espera pelo maravilhoso dia em que os problemas deixam de existir por si – ou pela mão de outrém, nunca a deles; isso é que não, requer demasiado esforço! – , qual geração espontânea. Nesse dia, o Português marcará presença na linha da frente para criticar e agredir quem tentou, ainda que sem grande sucesso, alterar o “estado de sítio”. Após a agressão, o Português recolhe-se novamente e vigia, pela calada, o aparecimento de actores políticos frescos que lhe permitam desferir novo ataque. O Português tem sempre uma justificação para os seus actos. E… Pasme-se! A culpa nunca é desse Português, é sempre de outro(s).
Portugal seria um país fantástico, não fosse a mentalidade das pessoas que nele habitam. Por favor, não se enganem a vós próprios. Voto em branco é atitude. Abstenção é desinteresse.
Hoje fui exercer o meu direito de voto e não votei em branco.
* dever
v. tr.
estar obrigado a;
ter de dar ou prestar;
ser necessário;
estar reconhecido a;
v. intr.
ter dívidas ou compromissos;
v. refl.
ter-se obrigação mútua;
s. m.
o que somos obrigados a fazer ou a evitar;
o que impõem a consciência moral, as leis ou os costumes;
obrigação moral.




Olá!
Fui bem mais perto , 600 m talvez!
Cumpri o meu dever e também não foi em branco!
)))
Desde que fiz os 18 que sempre votei, nunca se sabe se poderei vir a ser presidenta
é verdade que muitos se acomodam e logo nesta semana que tiram férias! Claro que não vão perder dois dias de prais por causa das eleições…
beijocaaaaaaaaaaaa
Parece que na praia estava frio. Foram bem castigados, portanto.
Já conheces a minha opinião, que diverge da tua, apesar de na prática ambos votarmos sempre.
O problema do protesto com o voto em branco é que esse é junto com os votos não válidos! Ou seja, o sistema despreza o voto em branco. Logo protestar com o voto em branco é uma opção, provavelmente a que eu assumiria se quisesse protestar, mas na prática tem validade 0.
Quanto ao dever de votar, eu prefiro substituir a palavra dever por direito. A conquista da liberdade, se quisermos ser fieis ao conceito de liberdade e tudo que ele abrange, também inclui isso: a liberdade de cada pessoa decidir se vai votar ou não. Para quê recriminarmos as pessoas por usarem da sua liberdade? Queremos ceifar a sua liberdade?
Enfim, uma coisa é certa, a nossa classe politica é fraca e de um modo geral, oportunista!
Afectado,
O voto em branco não tem o poder de boicotar as eleições, mas aparece em todas as estatísticas e todos tomamos conhecimento dele. Portanto, na prática, tem validade sim. Como eu digo, voto em branco significa que a pessoa se dignou ir à urna para expressar que está descontente. Abstenção é que vale 0. Sobretudo quando se repete nos mesmos números de umas eleições para outras. Torna-se vulgar e deixa de significar o que quer que seja.
É um dever cívico. Um direito legal.
Cada um é livre de decidir se vai votar ou não, concordo plenamente contigo. Longe de mim querer ceifar a liberdade de seja quem for. Assim como também não me pode ser negada a liberdade de recriminar quem não vote.
Como disse, não percebo que alguém abdique de dar a sua opinião. Se todos fizessem o mesmo, essa liberdade de tanto apanágio deixaria de existir.
Sim, claro que és livre para criticar quem decidiu não votar
Quanto aos votos em branco… nas projecções que já ouvimos, em qual ouviste a % deles? Nenhuma, certo? Então podemos considerar os votos brancos como votos fantasmas (coisa com a qual eu não concordo de modo algum). Aliás, para mim, os votos brancos deviam representar lugares vazios nos parlamentos! Aí sim, o voto branco tinha força!
Como vês, a abstenção tem sido falada e comentada, o voto branco totalmente ignorado até agora. É mau que assim seja, mas é a realidade que temos.
Ah, faltou dizer… não te esqueças que os votos brancos quando forem contados, vão para o mesmo número dos votos inválidos, mal preenchidos, etc. Logo, nem essa percentagem será real e está desacreditada à nascença. Mais uma vez digo-te que não concordo que assim seja, mas que é a nossa realidade, é.
Voltamos ao mesmo. Os votos em branco não têm qualquer influência sobre os resultados. Tu sabes. Eu sei.
O que eu digo é que é uma questão de atitude. As pessoas que não vão votar são aquelas que prescindem de tomar parte na decisão, de dar a sua opinião. As que optam por votar em branco, demonstram que têm algo a dizer e que não concordam. Independentemente de isso ter influência nos resultados.
Não concordo que os votos em branco devessem representar lugares vazios, particularmente no Parlamento Europeu. Isto porque um deputado europeu português é sempre mais um a defender os nossos interesses, quaisquer que sejam as suas cores políticas.
Sim, tens razão, o que eu disse dos lugares em branco era a pensar no nosso parlamento e não no europeu.
A propósito…
Votantes: 37.05%
Abstenções: 62,95%
Brancos: 4.63%
Nulos: 2.00%
Fonte: TSF [aqui]
Já tinha visto na SIC, de passagem, que seriam 4,6. Na TVI e na RTP, que eu visse, nem deram. Se deram, foi pontualmente.
Se se valorizasse mediaticamente e na prática os votos em branco, aí sim, teríamos uma arma de protesto que não deixaria desculpas a quem fica em casa.
Pois, isso ainda é pior… O facto de apenas se fazer aquilo que é passível de valorização alheia.
Eu procuro fazer o que acho correcto, independentemente de alguém vir dar valor a isso.
Eu também fui votar e não votei em branco!
Não vamos ficar em casa à espera que alguém se resolva a oferecer-nos emprego, pois não? Então também não podemos ficar em casa à espera que alguém ponha os políticos a mexer
Apoiada.
Adorei esse blog!
E me entristece perceber que, se todas as palavras “Portugal” e “Português” fossem trocadas por “Brasil” e “Brasileiros”, a situação seria a mesma.
Aliás, ler algo escrito em português correto dá um alívio! Bom saber que nossa língua ainda é falada e escrita corretamente em algum lugar!
:****
O Rouxinol,
Agradeço a tua preferência e espero que não tenha sido a tua última visita.
Podes-te entristecer momentaneamente, desde que não te resignes ou baixes os braços!
Existem muitos e bons embaixadores da nossa língua… Eu apenas me vou esforçando por aperfeiçoar aquilo que sei e que é modesto, tanto em quantidade como em qualidade.
Obrigada.