Há tempos, numa das minhas viagens Covilhã -> Lisboa, os mosquitos estavam doidos de excitação. Era vê-los esparramarem-se no vidro do bolinhas sem medir as consequências dos seus actos. A camada de gosma já levava uma espessura substancial e eu ia carregando compassadamente no manípulo do líquido limpa-vidros. Sem aviso, o esguicho começou a perder força até deixar de verter água. Era o desespero. Qual é o ser que se predispõe a morrer atolado em gosma de mosquito?
Decidi parar na estação de serviço de Aveiras para tratar do assunto convenientemente. Enchi o depósito e dirigi-me ao W.C. para processar as minhas necessidades fisiológicas. À porta, um sinal de plástico amarelo com sinal de perigo a anunciar uma limpeza em curso. Ainda considerei esquivar-me pela porta sem ninguém notar, mas a senhora das limpezas pressentiu a façanha iminente e, de esfregona em punho, colocou-se em posição estratégica para me bloquear a entrada. Olhei-a com fingida melancolia, com vontade de soltar duas ou três lágrimas de crocodilo, mas a senhora não se comoveu.
A aflição tornava-me impaciente. Observei a zona envolvente, em busca de alternativas. O W.C. masculino estava fora de questão, pois tinha imensos fregueses e eu sou uma miúda púdica. Já considerava a remota hipótese dos arbustos que, coitados, acabam por ser sempre vítimas destas vicissitudes… Foi então que vislumbrei o W.C. dos seres com incapacidade física. Deixei as considerações sobre as minhas incapacidades para mais tarde e atirei-me àquela oportunidade única.
O W.C. era muito espaçoso. Nada que se comparasse com os femininos, que entre a porta e a sanita praticamente nem têm espaço para pôr as pernas (e eu sou pequena… agora imaginem o que sofre uma senhora normal). Mas, afinal, quem é que quer um W.C. em que a sanita se situa a 3 metros da porta, quando a mesma NÃO FECHA?! Volta, W.C. exíguo, estás perdoado! Bem… Na impossibilidade de me esticar até à porta para a manter pressionada, lá decidi arriscar e entrar, deixando-a apenas encostada.
Os procedimentos foram os mesmos de sempre, para a realização de uma tarefa na qual levo um treino de anos. Aquilo que não estava previsto era a sanita ter um enorme buraco na frente. Não será preciso ser um cientista de renome para concluir que o jacto vigoroso, resultante da aflição em que me encontrava, foi atingir a perna das minhas estimadas calças de ganga. Furiosa, irada, piursa, abortei a operação e procurei imediatamente o papel higiénico. Ah, querias! Papel higiénico em W.C.s públicos? Que menina ingénua. Plano B. Recorrer aos lenços de papel que integram o conjunto de produtos essenciais numa mala de mulher. Vasculhei, encontrei.
Tentei mitigar o efeito da urina nas calças e agradeci encarecidamente à minha pessoa o facto de preferir ganga escura: a desgraça passava despercebida.
Após tal bodeguice, o meu nojo era imenso. Lavava as mãos, procurando abstrair-me de tudo o resto, quando um senhor entrou no W.C. Em vez de sair imediatamente, o espécime manteve-se no interior do dito, observando a minha operação de lavagem com curiosidade enquanto se desculpava que o W.C. masculino estava em limpezas. “Não se preocupe, estou de saída”, disse eu, esboçando um sorriso na tentativa de atenuar o embaraço da situação. Dirigi-me imediatamente para a porta de saída, onde o homem permanecia impávido. Ao passar por ele, o ser sorriu e largou a seguinte pérola: “Que menina tão gira.”.
Pois é verdade, meus amigos, os homens têm sempre uma palavra de apreço para com o sexo oposto e tendem a seleccionar sempre as ocasiões mais apropriadas. Veja-se que nem no interior de um W.C. para incapacitados físicos, com o chão nojento e perante uma miúda que acabou de urinar nas suas próprias calças, o macho se acanha (duvido que estivesse consciente deste último pormenor, mas ainda assim…
).




que raio de sitio para mandar piropos :S
beijoca
Os homens perante o sexo oposto, ofuscam-se com tudo o que rodeia. A mente masculina é um fenómeno de raridade igualável…
Cá para mim ofuscam-se é com os elementos do sexo oposto, não com aquilo que os rodeia. O lado básico e previsível dos homens torna-os vulneráveis.
Recebi este email esta semana e acho que se adequa à situação:
** A grande explicação que todos querem qd saem com mulheres **
*Por que é que as mulheres demoram tanto tempo quando vão à casa de banho? E Porque é que vão sempre aos pares?*
O grande segredo de todas as mulheres a respeito da casa de banho é que, quando eras pequenina, a tua mamã levava-te à casa de banho, ensinava-te a limpar o tampo da sanita com papel higiénico e depois punha tiras de papel cuidadosamente no perímetro da sanita.
Finalmente instruía-te: “nunca, nunca te sentes numa casa de banho pública!”
E depois ensinava-te a “posição”, que consiste em balançar-te sobre a sanita numa posição de sentar-se sem que o teu corpo tenha contacto com o tampo.
“A Posição” é uma das primeiras lições de vida de uma menina, importante e necessária, que nos acompanha para o resto da vida. Mas ainda hoje, nos nossos anos de maioridade, “a posição” é dolorosamente difícil de manter, sobretudo quando a tua bexiga está quase a rebentar.
Quando *TENS* de ir a uma casa de banho pública, encontras uma fila enorme de mulheres que até parece que o Brad Pitt está lá dentro. Por isso, resignas-te a esperar, sorrindo amavelmente para as outras mulheres que também cruzam as pernas e os braços, discretamente, na posição oficial de “tou aqui tou-me a mijar!”.
Finalmente é a tua vez! E chega a típica “mãe com a menina que não aguenta mais” (a minha filhota já não aguenta mais, desculpe, vou passar à frente, que pena!). Então verificas por baixo de cada cubículo para ver se não há pernas. Estão todos ocupados.
Finalmente, abre-se um e lanças-te lá para dentro, quase derrubando a pessoa que ainda está a sair.
Entras e vês que a fechadura está estragada (está sempre!); não importa…
Penduras a mala no gancho que há na porta… QUAAAAAL? Nunca há gancho!!
Inspeccionas a zona, o chão está cheio de líquidos indefinidos e fétidos, e não te atreves a pousá-la lá, por isso penduras a mala no pescoço enquanto vês como balança debaixo de ti, sem contar que a alça te desarticula o pescoço, porque a mala está cheia de coisinhas que foste metendo lá para dentro, durante 5 meses seguidos, e a maioria das quais não usas, mas que tens no caso de…
Mas, voltando à porta… como não tinha fechadura, a única opção é segurá-la com uma mão, enquanto com a outra baixas as calças num instante e pões-te “na posição”…
AAAAHHHHHH… finalmente, que alívio… mas é aí que as tuas coxas começam a tremer… porque nisto tudo já estás suspensa no ar há dois minutos, com as pernas flexionadas, as cuecas a cortarem-te a circulação das coxas, um braço estendido a fazer força na porta e uma mala de 5 quilos a cortar-te o pescoço!
Gostarias de te sentar, mas não tiveste tempo para limpar a sanita nem a tapaste com papel; interiormente achas que não iria acontecer nada, mas a voz da tua mãe faz eco na tua cabeça *”nunca te sentes numa sanita pública”*, e então ficas na “posição de aguiazinha”, com as pernas a tremer… e por uma
falha no cálculo de distâncias, um finííííssimo fio do jacto salpica-te e molha-te até às meias!!
Com sorte não molhas os sapatos… é que adoptar “a posição” requer uma grande concentração e perícia.
Para distanciar a tua mente dessa desgraça, procuras o rolo de papel higiénico, maaaaaaaaaaas não hááááá!!! O suporte está vazio!
Então rezas aos céus para que, entre os 5 quilos de bugigangas que tens na mala, pendurada ao pescoço, haja um miserável lenço de papel… mas para procurar na tua mala tens de soltar a porta… ???? Duvidas um momento, mas não tens outro remédio. E quando soltas a porta, alguém a empurra, dá-te uma trolitada na cabeça que te deixa meio desorientada mas rapidamente tens de travá-la com um movimento rápido e brusco enquanto gritas
OCUPAAAAAADOOOOOOOOO!!
E assim toda a gente que está à espera ouve a tua mensagem e já podes soltar a porta sem medo, ninguém vai tentar abri-la de novo (nisso as mulheres têm muito respeito umas pelas outras).
Encontras o lenço de papel!! Está todo enrugado, tipo um rolinho, mas não importa, fazes tudo para esticá-lo; finalmente consegues e limpas-te. Mas o lenço está tão velho e usado que já não absorve e molhas a mão toda; ou seja, valeu-te de muito o esforço de desenrugar o maldito lenço só com uma mão.
Ouves algures a voz de outra velha nas mesmas circunstâncias que tu “alguém tem um pedacinho de papel a mais?” Parva! Idiota!
Sem contar com o galo da marrada da porta, o linchamento da alça da mala, o suor que te corre pela testa, a mão a escorrer, a lembrança da tua mãe que estaria envergonhadíssima se te visse assim… porque ela nunca tocou numa sanita pública, porque, francamente, tu não sabes que doenças podes apanhar ali, que até podes ficar grávida (lembram-se??)…. Estás exausta! Quando
páras já não sentes as pernas, arranjas-te rapidíssimo e puxas o autoclismo a fazer malabarismos com um pé, muito importante!
Depois lá vais pró lavatório. Está tudo cheio de agua (ou xixi? lembras-te do lenço de papel…), então não podes soltar a mala nem durante um segundo, pendura-la no teu ombro; não sabes como é que funciona a torneira com os sensores automáticos, então tocas até te sair um jactozito de água fresca, e
consegues sabão, lavas-te numa posição do corcunda de Notre Dame para a mala não resvalar e ficar debaixo da água.
Nem sequer usas o secador, é uma porcaria inútil, pelo que no fim secas as mãos nas tuas calças – porque não vais gastar um lenço de papel para isso – e sais…
Nesse momento vês o teu namorado, ou marido, que entrou e saiu da casa de banho dos homens e ainda teve tempo para ler um livro de Jorge Luís Borges enquanto te esperava.
“Mas por que é que demoraste tanto?” – pergunta-te o idiota.
“Havia uma fila enorme” – limitas-te a dizer.
E é esta a razão pela qual as mulheres vão em grupo à casa de banho, por solidariedade: uma segura-te na mala e no casaco, a outra na porta e a outra passa-te o lenço de papel debaixo da porta, e assim é muito mais fácil e rápido, pois só tens de te concentrar em manter “a posição” e *a dignidade*.
*Obrigada a todas por me terem acompanhado alguma vez à casa de banho e servir de cabide ou de agarra-portas! Passa isto aos desgraçados dos homens que sempre perguntam “querida, por que motivo demoraste tanto tempo na casa de banho?” …. IDIOTAS!*
Olá Pedro, bem-vindo!
(Agora que sei que também lês estas parvoíces, acho que vou ali fechar-me numa conchinha e volto quando me tiver passado.
)
Ainda agora apareceste e já me obrigas a ler comentários maiores do que os meus próprios posts?
Não me pagam para isto!
Nunca pensei que fosse possível escrever uma tão longa dissertação sobre uma simples ida ao W.C. Mas posso afirmar que muitas das peripécias são verídicas e que a maioria das mulheres já terá passado por situações idênticas.
Não sei se pretendias insinuar, com esta saga, que o meu acidente se deveu à minha falta de jeito… Quanto a isso, apraz-me dizer que eu tinha a posição correcta e acertada com precisão. Não esperava era que a sanita tivesse um buraco enorme!
Ai Vil, Vil… O que eu me rio com as tuas peripécias! claro que eu também tenho umas boas para contar, mas não no teu blog.lol
Invejosa. Não tens um blog, bem podias contar no meu.
Não!!! O que é que eu ganharia em troca? um beijinho teu? Nem pensar! erggg…. que nojo!
Porque é que agora os smilies são estúpidos? Este último que enviei parece que está a contorcer-se com dores em vez de se estar a rir…
este parece que está a tentar obrar (como eu gosto deste termo…) e não consegue. Ei! Amigo, se calhar não devias fazer tanta força. Olha as hemorróidas
Mas este último também não é melhor. Parece um bocado deficiente. Como se tivesse entalado a língua…