Knock-knock. A esta hora ainda vale? Não vim escrever que o meu primeiro disco foi um dos álbuns de Michael Jackson, pois nunca comprei nada do senhor. Não que isso seja motivo de orgulho ou desmerecimento. É apenas um facto. Também não venho dissecar os detalhes da sua morte ou especular sobre possíveis causas.
Quero apenas recordar o artista e referir as razões do meu respeito: profissionalismo, criatividade, inconformismo. Goste-se ou não, um artista que vende mais de 700 milhões de álbuns e arrebata 13 Grammys, merece obrigatoriamente o estatuto de Rei.
Curiosamente, foi o tema Billie Jean que deu o mote para a mudança de atitude da estação de televisão MTV que, à data, recusava rodar videoclips de intérpretes negros. Só quando a editora de Michael Jackson, a Columbia Records, ameaçou retirar os videoclips dos restantes artistas que representava, a estação recuou. Billie Jean deu um empurrãozinho no combate ao racismo e a muitos outros preconceitos.
Billie Jean, Thriller (1982), Michael Jackson




um empurrão ao combate ao racismo vindo de um “racista”
bem….
Não sei se te referes à mudança do tom de pele do cantor… Segundo o que li, Michael Jackson padecia de Vitiligo, uma doença rara que provoca a despigmentação da pele. Semelhante a este caso.
Michael Jackson tinha um tom de pele castanho claro que, por volta dos anos 80, começou a clarear. Só nos anos 90 admitiria a doença publicamente.
O cantor aplicava grandes doses de maquilhagem na tentativa de atenuar a desigualdade no tom de pele, tornando-a ainda mais pálida. Lê este artigo sobre a saúde e aparência do artista.
Penso que na história de Michael Jackson há muitos pontos de discórdia mal contados e sobre-aproveitados. A minha opinião é que ele não passava de uma criança extremamente frágil, emocionalmente instável, com muitos problemas de saúde e uma auto-estima a roçar o ridículo. E para isso contribuíram, não apenas a sua condição física, mas também a infância conturbada nas mãos de um pai severo e as exigências do mundo do espectáculo, para não falar das graves acusações de abuso de menores de que foi alvo. Não esqueçamos que Michael iniciou a sua carreira profissional aos 11 anos e ganhou o primeiro Grammy aos 20.
Eu vou-me lembrar sempre desta:
http://www.youtube.com/watch?v=Jpz5eD9L4dA
Michael és grande!!!
Até uma próxima…
Sabes, eu tenho um problema com o Michael Jackson. E esse problema é que não sei QUEM morreu. Quem era ele? Que era ele? Havia um ELE aqui?
Explico melhor. Eu tenho a teoria – é mais uma suspeita que uma teoria – de que só existimos a espaços. Na maior parte do nosso tempo somos agregados fugazes, feitos de “som e de fúria”. E de reflexos de reflexos de reflexos, um espelhismo interminável que, no limite, nos devolve apenas imagens à superfície da água.
Quem somos? Ah, quando o saberemos? Michael Jackson fazia-me sentir isto de uma forma quase dolorosa. Fascinava-me.
Não creio que tenha morrido. Porque talvez já tenha deixado de ex-sistir há muito tempo.
Mas é apenas uma suspeita.
Passa bem, maldisposta. (és uma enganadora, também tu.
)
Penso que percebo o que queres dizer. Mas, afinal, não acontece o mesmo com todas as pessoas com quem nos cruzamos na vida?
Até que ponto conhecemos o vizinho que mora no andar de cima e que apenas ouvimos gritar para a mulher “Atende o telefone!”?
Quão profundamente conhecemos o parceiro do lado, com quem vivemos há 15 anos, e que um dia revela levar uma vida dupla?
Não existem mesmo pessoas que mudam completamente as suas atitudes consoante o ambiente ou a companhia que as rodeia?
Somos a espaços, sim. Mas apenas para os outros, não para nós mesmos (considerando que não somos esquizofrénicos ou bipolares). Eu para ti sou tão-só aquilo que te é dado a ler no Mau-Feitio e no Twitter. Sou-o a espaços e, neste caso, em meios e formatos fortemente controlados por mim.
Independentemente disso, os curtos flashes no tempo revelam sempre algo sobre as pessoas. Obviamente, quanto mais prologada for a convivência, melhor a apreensão das suas características.
Michael Jackson era uma figura mediática, as suas aparições em público eram controladas. Mais: eram aleatórias e esparsas, reproduzidas por terceiros e raramente corroboradas ou negadas pelo próprio. Como é possível esperar conhecer alguém por uns escassos 10 ou 15 fragmentos descontextualizados (!) de uma vida de 50 anos? Ele era alguém, sim. Nunca o conheceremos na sua plenitude.
Os reflexos dele não me fizeram sentir suficientemente próxima para me interessar mais pela sua vida e obra. Mas obrigam-me a respeitá-lo.
[Eu não sou mal disposta, tenho é mau-feitio. Quando estou bem disposta, expressa-se em sarcasmo e ironia... Quando estou mal-humorada, transforma-se em brusquidão, respostas tortas e refilice.]