Por esta altura os leitores do Mau Feitio, habituados que estão a ler peripécias e percalços do meu dia-a-dia (cujas ocorrências a U. faz questão de avolumar, por essas caixas de comentários fora), poderá dar-se o caso de pensarem que sou uma criatura completamente desequilibrada. O que não deixa de ser verdade, em certos momentos. Mas gosto de acreditar que possuo uma explicação bastante mais racional, capaz de me tranquilizar quanto à minha transcendente e invulgar personalidade. Apraz-me dizer, para justificar e banalizar todos os meus equívocos e actos falhados, que sou um bicho extremamente focado e, mais ainda, que os meus neurónios apenas processam pensamentos decorrentes de actividades, interacções ou raciocínios que me são caros. Não necessariamente relevantes, evidentemente, mas isso constitui tópico para uma outra discussão. Posto isto, sempre que o corpo se dedica a tarefas entediantes e incapazes de produzir interesse sobre a minha cabecinha, esta viaja para assuntos diversos, divaga e deixa de estar consciente do corpo e da sua deambulação pelo meio.
Fundamentada que está a minha descoordenação motora e mental, não posso perder a oportunidade de falar sobre um episódio adicional da minha humilde existência. 3.2km, é a distância que me separa do local onde diariamente ofereço a mente (esta que resplandece com intensidade e fulgor) ao manifesto. 4, as vezes que percorri esse percurso num destes dias. 4 ºC, a temperatura média que se me entranhava nos poros. “E porquê, 12.8km 9.6km dos quais numa noite gélida e húmida como aquela?”, perguntam vocês, “Empanturraste-te em chocolate e querias exercitar essas perninhas de rã?”. Obviamente a resposta é não. Mais um lapso ao arrumar a tralha na mochila paquiderme (Paquiderme é a palavra certa. Se não me dobrasse ligeiramente tenho a certeza que tombava para trás, tal é o peso.) e voltei para casa sem o transformador do portátil. Deixá-lo no gabinete, sozinho e abandonado à sua triste sorte até à manhã seguinte não podia ser opção.
Foi uma viagem esclarecedora. Segui pela cidade, só eu e a minha bicicleta… Deixei para trás as luzes e o tráfego, atravessei o bosque protegida pela escuridão. O exercício físico não permitiu que o corpo arrefecesse, embora as zonas com pele a descoberto fossem continuamente fustigadas pelas hordas de vento. Os músculos da face anestesiaram com o frio. Felizmente lembrei-me das luvas, caso contrário teria deixado de sentir mãos. É revigorante e libertador sentir a energia canalizada para outros órgãos que não o cérebro. E nisto nasceu-me também uma vontade imensa de experimentar a piscina de água quente. Disseram-me que à noite parece um mar de gente (até aprecio o mar, a gente é que não), mas aos fins-de-semana de manhã deve ser tranquila. Um corpo extenuado far-me-ia as delícias por estes dias e eu sou detentora de um fraquinho assim muito sério por água.




Vil. eu apenas torno o teu blog muito mais interessante!
“Posto isto, sempre que o corpo se dedica a tarefas entediantes e incapazes de produzir interesse sobre a minha cabecinha, esta viaja para assuntos diversos, divaga e deixa de estar consciente do corpo e da sua deambulação pelo meio.” Se fosses outra pessoa dirias simplesmente que andas na lua. Vil, a complicada
Pudera, vens cá denegrir a imagem da autora do blog e todos sabemos que o povo rejubila com a desgraça alheia!
Nunca frequentei a lua, mas até era coisa para ser engraçada.
Não ando a denegrir a imagem de ninguém! Apenas conto a minha versão…